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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mourinho explica o Benfica pelo lado de fora

Em entrevista a A BOLA, José Mourinho comenta a discrepância entre o Benfica versão 2010/11 e o que se sagrou campeão nacional na época transacta.

Como se explica que a equipa do Benfica tenha estado tão forte no ano passado e tenha caído tanto no início desta época?
De fora, não é fácil explicar

Mas podem apontar-se razões mentais?
Não faço ideia, não é fácil explicar.

Com o Mourinho, isso nunca aconteceu.
Comigo, as segundas épocas foram sempre melhores. É a tendência lógica.

Sente que no final de uma primeira época com bons resultados há o perigo de a segunda época não ser tão boa?
As exigências e os desafios são diferentes da primeira época. As estratégias de motivação também têm de ser diferentes. Lembro-me que na minha segunda época no FC Porto decidi mudar o sistema de jogo.

No Chelsea também.
Sim. Exactamente porque na primeira época atinge-se um determinado nível de confiança e automatismo em que parece que os jogadores podem correr o risco de se acomodarem. O facto de iniciarem um processo de aprendizagem diferente pode ajudar a despertar concentração, motivação e desejo, e no meu caso resultou. Nem que depois se volte à base de partida, mas, pelo menos, no início, pode ser preciso provocar mudanças que os atinjam ao nível psicológico. Trazer jogadores que podem ser competitivos com aqueles que pensavam que tinham algum tipo de estatuto e atacar imediatamente o jogador que pensa ser indiscutível pelo que fez na época passada, torná-lo num jogador discutível obriga-o a uma exigência diferente.


ABola

domingo, 26 de dezembro de 2010

Mourinho: «Benfica desiludiu-me na Champions»

R – Não escondeu, antes do início da temporada, as grandes expectativas que tinha em relação ao Benfica. Deixou-o desiludido a participação das águias na Liga dos Campeões?
JM – Estou desiludido. As expectativas criadas são consequência da forma como abordaram esta época. Venceram bem o título do ano passado na Liga portuguesa e o Jorge Jesus assumiu que queria ganhar a Champions. Quer dizer, elevou os níveis de ambição e expectativa. Eu, que acredito sempre mais nos treinadores do que nos outros, pensei que ele estava convencido de tinha potencial para conseguir esse objetivo mais arrojado. Não era preciso ganhar a Champions, porque isso é muito difícil até para equipas que têm maior poderio financeiro do que o Benfica. Mas esperava mais. Agora na Liga Europa, que é uma prova mais adaptada aos níveis do futebol português e à sua realidade qualitativa, pode ser que alguma das quatro equipas que ainda estão na luta chegue longe. E não excluo mesmo a hipótese de uma delas sair vencedora.
«FC Porto sabe gerir as vantagens muitíssimo bem»
R – Que apreciação faz ao campeonato em Portugal, nomeadamente à confortável liderança do FC Porto?
JM – O FC Porto começou bem e forte e os outros abriram-lhes as portas que são as mais difíceis de ultrapassar, as portas da tranquilidade. E muitas vezes somos nós que temos de ir à procura da tranquilidade, neste caso foram os outros que proporcionaram esse sentimento. Sem essa pressão, é praticamente jogar contra nós próprios, saber gerir o nosso destino e as nossas vantagens.
R – Significa que esta vantagem do FC Porto sobre a concorrência direta pode considerar-se determinante para ganhar o campeonato?
JM – Não significa, desde já, que vá ser campeão. Mas num campeonato como o português, que só tem 30 jogos, torna-se mais fácil gerir o avanço. Reparem que são menos oito jornadas do que o espanhol, por exemplo, equivalentes a cerca de dois meses de competição. Por isso, não é tão difícil assim fazer a gestão de vantagens num campeonato como o português. E o FC Porto, sabe fazer isso muito bem. Em jeito de conclusão, diria que não me parece um problema para o FC Porto ser campeão nacional em 2010/11...

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