Toni (disse adeus num 5-0 em que jogou “à Beckham”), Manuel Fernandes (que no primeiro dérbi foi substituído por Jorge Jesus), Hélder (para quem os confrontos com o FC Porto são mais conflituosos) e Pedro Barbosa (que iniciou na Luz a semana mais amarga da vida desportiva) desfiam um rosário de memórias que desaguam na mesma conclusão.
RECORD – Têm presente aqueles que foram os vossos primeiros Benfica-Sporting?
MANUEL FERNANDES – Tenho memória não só do primeiro como dos 12 em que participei. A estreia foi em 1975/76, num jogo que terminou 0-0 e no qual saí ainda na primeira parte, lesionado num ombro. Foi um lance disputado com o Malta da Silva e que acabou num choque com o José Henrique. Fui substituído pelo Jorge Jesus? É curioso, disso não me recordava. Mas lembro-me de tudo o resto, nomeadamente de uma grande penalidade desperdiçada pelo Da Costa, que era o nosso defesa-esquerdo.
TONI – Eu também me estreei no dérbi com 0-0, mas em 1968/69. Nem sempre uma partida sem golos é má mas tenho a noção de que esse não foi grande coisa. A referência mais interessante que tenho em relação a ele foi ter sido disputado em vésperas do desempate com o Ajax, em Paris, para a Taça dos Campeões.
MF – Ganharam lá 3-1, perderam em Lisboa pelo mesmo resultado e, em Paris, o Ajax venceu 3-0...
T – Sim, no prolongamento. Estavas muito atento ao Benfica...
MF – Não era pelo Benfica, era por causa do Cruijff, o meu ídolo. Via todos os jogos que podia do Ajax na televisão. Não te esqueças de que eu tinha a mania de que ia ser o Cruijff. Coisas de miúdo...
R – Toni, recorda-se ao lado de quem jogou?
T – Não.
R – Ao lado de Jaime Graça e Coluna.
T – Perdão, do senhor Mário Coluna. Mesmo em final de carreira, tinha um estatuto intocável. E era assim que eu o tratava.
MF – Mas ele não saiu em 1968/69, porque em 1969/70, na minha estreia na I Divisão, pela CUF, ocorrida frente ao Benfica, ele era o capitão.
T – Sim, ele só foi para Lyon em 1970/71. Mas olha, a propósito de CUF, recordo-me de ter perdido, em 1969/70, por 1-0, no Estádio Nacional, com um golo do Madeira. Jogámos no Jamor em virtude do castigo de oito jogos pela invasão do campo, na Luz, frente ao Belenenses.
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